quinta-feira, 13 de março de 2008

Um Livro Heróico.


Plínio Sandoval é tudo, menos o herói que o título deste segundo romance do escritor carioca Daniel Frazão sugere. Desempregado, passa os dias observando as moscas de seu decadente apartamento em Copacabana morrerem dilaceradas pelo ventilador de teto enquanto cultiva pensamentos homicidas em relação a seus vizinhos de prédio – o síndico boçal e o casal que transa enquanto ouve sinfonias de Wagner – e toda a humanidade. Isso quando não pensa em dar cabo da própria vida. Sandoval só consegue esboçar um sorriso solitário quando lembra de Julia Monerat, seu amor platônico da adolescência, que ficou para trás na cidade natal, no interior do estado.
Sem nenhum amigo além dos colegas de trabalho e uma velha prostituta, Plínio tenta sobreviver numa cidade voraz, lidando com as desilusões, injustiças e desigualdades cotidianas. Sua trajetória muda, mas ainda assim sem nenhum ato heróico, quando recebe um telefonema do irmão, que ainda mora no interior, informando da morte de um tio do qual ele nem se lembra e da possibilidade de uma polpuda herança. Era a chance que ele tanto esperava para finalmente mudar de vida. Com seus últimos trocados, Plínio compra um terno barato para o enterro, a passagem de ônibus, e retorna à cidade de sua infância para encarar seus fantasmas.
Mas a papelada se atrasa e, para sobreviver enquanto espera a leitura do inventário, o trágico anti-herói resolve arrumar um emprego. O único adequado para suas qualificações – ele cursara apenas um período de faculdade para em seguida abandonar tudo – é o de ajudante de médico-legista no Instituto Médico Legal. Enquanto esquarteja corpos em decomposição, Sandoval reflete sobre a própria existência e fantasia sobre o seu amor perdido de juventude. Quando o testamento finalmente é aberto, seu conteúdo é inesperado.
Um relato original e tragicamente divertido sobre a efemeridade da existência humana, protagonizado por um herói relutante e de caráter duvidoso, criado pela prosa fluida e gótica deste novo e promissor talento da literatura nacional.

5 comentários:

Djabal disse...

"Pé de jaca não dá manga" ouvi outro dia de um amigo nordestino. Achei um tanto sem sentido, mas o eco ficou lá dentro da minha cabeça. Explico: hoje lendo seu blog, como faço habitualmente, soube do seu filho. E completo o sentido do adágio. Se ele é assim; lerei o livro, porque deve ser jaca doce e mole. Bjs.

Jan Halliwell disse...

Mãe coruja, hein Márcia?
haha
Maravilhoso seu blog e adorei a sinopse do novo livro, vou reservar o meu na livraria.
bjs.
Paz e luz

Jano disse...

Hola Marcia,
te devuelvo la visita y prometo intentar entender el portugues.Dame tiempo,soy muy torpe.
Me tendrás por aquí...

Un saludo,Jano

Leonor disse...

ah, sim o resumo é muito interessante. Só há por aí ou atravessa o atlântico?

Elizabeth F.Souza disse...

Oi Márcia.
Gostei muito do blog.
Agradeço o convite, estarei lá com certeza.
Luz, Paz e Alegria sempre.
Elizabeth.

Chet

Chet

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Que buraco é esse que me faz comer a geladeira?

Livros & Livrarias

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Livrarias são janelas. Livros olham o mundo.Livrarias libertam. Livros revolucionam.

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O poder sagrado Delas.

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Como amei descrevê-la!

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Foi uma delícia escrevê-lo!