
Quando o tempo eriçar os arames
e nos varais as saias rodopiarem
exibindo íntimas grotas
eu estarei debaixo de um outdoor
lixando as unhas.
Quando o tempo libertar os loucos
e nos hospícios só restarem gazes
eu estarei detrás do sinal
procurando espinhas no rosto.
Quando o tempo afiar tesouras
e os ventos rasgarem o céu
eu estarei na ponta do abismo
ensaiando um pas dès deux.
Quando o tempo enrolar os tapetes
e mechas se enroscarem nos grampos
eu me enforcarei nas tranças de Rapunzel
enquanto aguardo minha vez no cabeleireiro.
No quarto de Vita, entre uma curva e uma encruzilhada, ficava um enorme espelho. Uma esquina sossegada, um atalho escondido debaixo de uma velha escada.
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