domingo, 2 de março de 2008

Madame e Outras Histórias

Ao terminar a leitura de Madame e Outras Histórias, encaixei mais uma peça do quebra-cabeça feminino. Lá estava ela, a peça minúscula a responder as perguntas que me fiz durante toda a vida: por que só algumas mulheres são chamadas de madame? Terão elas um algo mais que as distinguem das outras? O título é produto exclusivo de uma classe social? Por que os homens aveludam a voz e abaixam os olhos quando chamam uma mulher de madame ? E por que as mocinhas se postam em reverência quando se aproximam de uma madame?
Tentei, sem sucesso, responder a essas perguntas em diversas fases de minha vida. Na adolescência, época em que me equilibrava entre o romantismo exacerbado e as lições de moça bem comportada, criei uma estranha ponte que ligava as aulas de francês ao amor. E sem relutância, com a audácia teórica que só se tem aos quinze anos, elaborei uma teoria: o homem elege uma madame porque carrega consigo (por código genético ou mesmo por reencarnação) reminiscências trovadorescas de um tempo em que a amada era ma dame, a dama que o amor lhe reserva só sua.
Não sei se por rejeição freudiana - nenhum namorado me chamou de madame - ou se pelo caleidoscópio de informações que a universidade apontava, abandonei a teoria afetivo-linguística e, nos primeiros anos acadêmicos, mergulhei de cabeça nas teorias sócio-políticas que os novos tempos exigiam. E assim, movida pelas perguntas que me assombravam e pela arrogância teórica que assombra aos jovens acadêmicos, criei mais uma teoria: madame era o símbolo de uma classe social perversa, escravagista e autoritária. Sem pudor, esqueci das madames que me cercavam e exigi uma nova Bastilha!
Do centro de sua sabedoria madamesca, com a cabeça pendida pelos golpes de ensandecida guilhotina, vovó presenciou a revolução com enigmático sorriso...
Não sei se por ineficiência revolucionária ou por deficiência estrutural na teoria - afinal, se Bovary era burguesa, nem toda burguesa era Madame Bovary; se Coco Channel se fez madame, Mary Quant não se fez Madame Channel -, a intrincada teia de perguntas ficou sem respostas. Mas eis que um dia, sem pedir licença nem enviar emissário, os originais de Madame e Outras Histórias entraram em minha vida, oferecendo a resposta! E foi depois de ler Marion que compreendi que madame é a mulher que em sorriso de Mona Lisa carrega histórias.

O livro de Marion Mac Dowell, "Madame e Outas Hisrórias" foi publicado pela Edições Consultor. É um livro lindo que só mesmo uma amiga tão especial poderia escrever.

Um comentário:

Andreza disse...

Como é bom poder desfrutar desse seu novo território o *BLOG* !!!!
Está mt mt lindo ... pois amo ler seus textos.
E todo dia farei uma visitinha tá.
Bjus
Andreza

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