
Entrei pela porta que outrora ligava ao quarto e não havia quarto. Contei dez passos e entrei pela porta que antes ligava ao banheiro e não havia banheiro, nem pia nem água. Onde eu estava? Em que dimensão ela se escondera? Em que vão eu me perdera?
Se ao menos ela tivese deixado um bilhete, um recibo de alguma viagem comprada ou só um recado seco indicando uma ida ao supermercado... Se ao menos ela tivesse deixado uma torneira aberta, uma panela no fogo, uma peça de roupa no varal... Se ao menos o telefone tocasse... Mas não, não encontrei bilhete, nem panela, nem recado, nem roupa no varal. O apartamento se equilibrava no vazio como uma teia de aranha capenga cheia de portas que não ligavam a nenhum lugar...
Se ao menos ela tivesse levado uma mala...
3 comentários:
As vezes nos meus piores pesadelos já me imaginei nessa situação descrita por você,e sempre acordo agoniado.Essa sensação vivida deve ser terrivelmente estranha e vazia...
Peço que as Deusas e Deuses te tragam boas sensações depois do Beltane.Feliz Beltane pra ti!
SEM PALAVRAS PRA DESCREVER A SENSAÇÃO Q TIVE AO LER SEU MARAVILHOSO RELATO...
LEMBREI... CHOREI... ENFIM... ME EMOCIONEI...
OBRIGADA POR COMPARTILHAR...
BJOS DE LUZ...
MÔNICA CHAVES
Para mim, que vejo a morte de outra forma, é tão estranho ver-te assim, tão agoniada! Abra tu mão, sopre um ADEUS! Deixe-a partir! Não faças isso com ela, permita que parta!Liberte-a! Para que um dia ela volte à ti!
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