quinta-feira, 10 de setembro de 2009

No Vão das Coxas Dela

Ela dizia que doí quando despontei à beira do poço escondido no vão das suas coxas. Doí uma dor que ela nunca sentira. Dor doída, sangrada, melada, enrolada em tripa. Doí tanto que de susto os mamilos fecharam as bicas e empedraram a Via Láctea. Susto doído, gritado, esperneado, faminto, desamparado. Susto mariano, enrolado em mantas franjadas e fraldas molhadas. Susto - que me perdoem os Josés - solitário, frio por paredes frias de maternidades mais frias ainda...
Hoje, passados cinquenta e oito anos de vida aninhada em seus seios murchos, caídos, carcomidos pela terra que agora a cobre num poço escuro, sem coxas e sem vão, a dor - a dor danada - me estilhaça em Via Láctea sem leite, estrelas e vida. Doídamente descubro que aniversário só tem sentido quando as mães estão por perto...

9 comentários:

Elaine Cilotti Fratta disse...

Acho que a morte é o parto invertido. É o renascer para quem se vai e muita dor para quem fica.Com a diferença de que no nascimento a dor dá lugar á alegria no instante em que a nova vida vem à luz. Mas cadê o consolo desse parto "ao contrário"? Só com o tempo...
Desejo de coração que esse consolo não demore a dar sinais de que está chegando.
Beijos
Elaine

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Quem nos garante que lá também não há coxas acolhedoras, e fraldas novas?
A gente (nofuuuuuuuuundo) não sabe...
Parabéns, mais uma vez; já mandei, mas se pudesse te mandava parabéns de 5 em 5 minutos, hoje...
BJS!

Palavras em Movimento disse...

Peço que as Deusas possam te amparar sua dor.Te mando todo meu carinho e força...beijos!

Rosmarino, tempero e destemperos disse...

Márcia, querida,
Você foi a primeira a comentar em meu blog e muito antes disto eu já te estimava. Quiseram as forças do Universo que depois de tanto tempo, viesse eu aqui, para dizer-te, respira, minha querida, respira e segue em frente com as belas lembranças dos colos, abraços, risos e cheiros.
Entendo o que você sente, mas também entendo que tens poder para transformar a dor em algo maior e positivo em tua vida.
Abraço fraterno,
Isa

Gian Fabra disse...

espetáculo
=)

li varios posts em sequencia

parabéns

Giulia Longhi disse...

Ola Márcia,

sou estudante de jornalismo da PUC-SP estou fazendo uma matéria e preciso de mais informações sobre a Wicca, será que você pode me ajudar?
giulia_longhi@hotmail.com

Obrigada, bom dia...
Giulia Longhi

Mary Taveiros disse...

Oi Marcia! Não sabia que vc tinha um blog...estava procurando algo sobre vc, seus livros e sem querer achei vc aqui! que coisa boa!
Amo seus livros!!! e amo ler sobre sua avó Vitalina, sempre choro de emoção...
Vou te seguir ok!
Felicidades e sucesso sempre!!!
beijinhos
Mary

bruxaninaflora disse...

Esta "dor danada" doeu em mim também. Esta "dor danada" encontra eco em mim, antecipadamente e desde sempre. Tenho medo desta hora em particular. A hora de me separar fisicamente de minhas "carnes".
Bjos solidários.

Sta.Roxie disse...

Eu já chorei algumas vezes com vc...

lendo esses posts...

Não consigo nem imaginar a vida sem minha mãe...

Um beijo!

Chet

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Foi uma delícia escrevê-lo!