sexta-feira, 14 de março de 2008

Senhoras do Santíssimo Feminino


Talvez por saberem o quanto é difícil retirar as nódoas dos vidros, elas não apareceram nos das minhas janelas. Preferiram as vias do inconsciente e das sincronicidades junguianas. Mas a despeito dos recursos que utilizaram, a verdade é que chegaram. Em bando. Como um cortejo de mulheres em busca de uma liquidação que valha a pena. Chegaram em brilhos, com o mesmo sol ofuscante que um dia banhou os olhos de um índio lá pelas bandas do México. Não me pediram nada nem revelaram segredos quanto ao destino da humanidade. Me disseram que só queriam conversar e mais nada. Acostumada com as assombrações que teimam em me visitar desde menina, não me assustei nem achei estranho. Afinal, que diferença haveria entre o fantasma de minha bisavó Luiza e a aparição de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro? Se muitos encontraram refúgio sob o manto da Virgem, sob as saias negras de Luiza muitas crianças escaparam das palmadas dos pais. Eliminada a hipótese de qualquer diferença, recebi as Senhoras (e o seu séquito de santas) com a mesma intimidade que um dia recebi Dona Lua (e o seu séquito de deusas) de vó Vitalina e os orixás de Vera, a doce cozinheira da minha infância. Entediadas com as pompas que os mortais lhes reservam quando com elas querem falar, as Senhoras respiraram aliviadas quando se viram em meio a um bando de mulheres a tagarelar na cozinha. O riso, antes aprisionado por um contorno sutil de imagem, explodiu solto, livre e sem compromissos. Os véus foram retirados e deixados nos encostos das cadeiras. As mãos, dormentes pela incômoda posição de eterna prece, soltaram-se ávidas, à procura de um naco de pão ou de alguma guloseima. Os braços, antes enrijecidos na intenção de um abraço impossibilitado pelo gesso, descobriram os desenhos dos gestos e o calor do toque. Enfim, agora estavam livres para ser somente mulheres. Mas como dizia Vitalina, " mulheres são mães dos milagres"...
Na foto,Vita e Nazir; Senhoras de extraordinária força.
Obs:texto extraído de meu livro, "Senhoras do Santíssimo Feminino" editado pela Editora Rosa dos Tempos.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Um Livro Heróico.


Plínio Sandoval é tudo, menos o herói que o título deste segundo romance do escritor carioca Daniel Frazão sugere. Desempregado, passa os dias observando as moscas de seu decadente apartamento em Copacabana morrerem dilaceradas pelo ventilador de teto enquanto cultiva pensamentos homicidas em relação a seus vizinhos de prédio – o síndico boçal e o casal que transa enquanto ouve sinfonias de Wagner – e toda a humanidade. Isso quando não pensa em dar cabo da própria vida. Sandoval só consegue esboçar um sorriso solitário quando lembra de Julia Monerat, seu amor platônico da adolescência, que ficou para trás na cidade natal, no interior do estado.
Sem nenhum amigo além dos colegas de trabalho e uma velha prostituta, Plínio tenta sobreviver numa cidade voraz, lidando com as desilusões, injustiças e desigualdades cotidianas. Sua trajetória muda, mas ainda assim sem nenhum ato heróico, quando recebe um telefonema do irmão, que ainda mora no interior, informando da morte de um tio do qual ele nem se lembra e da possibilidade de uma polpuda herança. Era a chance que ele tanto esperava para finalmente mudar de vida. Com seus últimos trocados, Plínio compra um terno barato para o enterro, a passagem de ônibus, e retorna à cidade de sua infância para encarar seus fantasmas.
Mas a papelada se atrasa e, para sobreviver enquanto espera a leitura do inventário, o trágico anti-herói resolve arrumar um emprego. O único adequado para suas qualificações – ele cursara apenas um período de faculdade para em seguida abandonar tudo – é o de ajudante de médico-legista no Instituto Médico Legal. Enquanto esquarteja corpos em decomposição, Sandoval reflete sobre a própria existência e fantasia sobre o seu amor perdido de juventude. Quando o testamento finalmente é aberto, seu conteúdo é inesperado.
Um relato original e tragicamente divertido sobre a efemeridade da existência humana, protagonizado por um herói relutante e de caráter duvidoso, criado pela prosa fluida e gótica deste novo e promissor talento da literatura nacional.

Mistéricos


Elas lavam louças
e desintegram a cozinha
num gozo volátil de detergente.
Arranham as panelas como éguas
que rasgam o mundo com os dentes.
Penteiam-se como as cadelas
lambem seus corpos
como as esponjas lambem panelas.
Como brilham.
Como brilham...
Descascam as batatas
Cortam maçãs
Arreganham vaginas aquáticas
enquanto descaroçam romãs.
Virgínia areava as panelas como se fosse colocá-las na caixa de jóias. Polia inumeráveis vezes entre jorros de água e oceanos íntimos.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Camas




Nos quartos de minha infância, as camas falavam e me ensinavam valiosas lições. Com a de Nazair aprendi que Afrodite, apesar de ser a deusa das seduções, também expressa a ternura das mães e o aconchego das amigas. Na sua colcha de pele macia enroscaram-se amantes em noites de frio, amigas trocaram segredos íntimos e crianças buscaram refúgio. Foi na maciez de um urso disfarçado em colcha que as minhas primeiras gripes foram curadas.Filha predileta do centauro Quíron, Nazair tinha o dom da cura, mas não pôde frequentar uma escola de medicina por causa da rigidez do seu tempo. Assim, sem diploma nem ajuda de enfermeira, seguiu os passos da mãe,Vitalina, e tornou-se curandeira assistida por um urso tão eficaz que, da noite para o dia, Nazair se viu responsável pelos sarampos, cataporas,caxumbas, resfriados, otites, amigdalites, apendicites, dores de dente e febres de todos os seus sobrinhos. Não sei se pela maciez da pele de sua colcha, ou se pelas aventuras tatuadas nas noites de frio ou pelo tropel de Quíron no seu quarto, era na cama de Nazair que os males iam embora. O urso-colcha cobriu a sua cama até o instante em que seus sobrinhos cresceram e deixaram de ver o centauro, as fadas do armário e os anjos do quarto. Um belo dia foi-se embora da mesma forma que se foram o sarampo e a catapora. Sumiu como por encanto! Não perguntei a Nazair para onde ele tinha ido. A tristeza não comportava explicações... Hoje, quando a Ceifadora já podou tantos galhos da minha família, me dou conta de que, por mais que o tempo passe e as lembranças se tornem rasgos de esquecimento, o quarto de Nazair permanece nítido na minha memória, habitado outra vez por Afrodite, Quíron e um urso disfarçado em colcha. E me dou conta de que os toques mágicos de uma feiticeira são imunes ao tempo e ao esquecimento.

obs 1: texto extraído de meu livro ,"A Casa da Bruxa", Editora Planeta do Brasil

obs 2: foto de Nazair

terça-feira, 11 de março de 2008

Santa Maria da Terra

No dia em que Maria nasceu, sem porquê nem quê, a terra deu de sangrar lá no Grotão das Moscas, onde penavam as carcaças dos desvalidos e amaldiçoados. Lugar seco, cruel e malvado, renegado até pelo Diabo.
Maria nasceu bem na risca que separava o mundo dos vivos do charco dos assombrados. Nasceu de vida morta, de uma vagina seca que nem o chão a queimar a sola do cortejo que acompanhava o cadáver. Nasceu embrulhada em dois embrulhos: uma caixa de ossos descarnados e uma rede poída, rota e encardida.
Parida sem contrações nem berro,
Maria brotou no mundo bem no instante em que a primeira pá de terra seca foi lançada na cova. Brotou assombrada, sem susto, em meio a ladaínhas e velas.
Talvez pelas chagas do
Cristo
da mãe ou pelo pouco de placenta que restara, a terra sangrou justo na hora em que Maria ia ser com a mãe enterrada.
Não sei se por crença num Deus que por eles não velava ou por medo de um Capeta que os renegava, o povo deu à Maria o nome da Terra.
Como não nasceu filha de Deus nem enteada do Diabo, Maria cresceu sem milagres. Por falta de um pão que servisse de molde não o multiplicou e por excesso de mortos não teve tempo para ressucitá-los. Mas conheceu o calvário de perto, com os olhos que a terra há de comer.
Seja pela ausência de milagres ou pela carência absoluta de maldade
, Maria cresceu tão comum que um belo dia ficou invisível como a gente do seu povoado.
Embora nos contos de fadas a invisibilidade seja um poderoso instrumento mágico, para
Maria era corriqueirice mesmo. Era o estado máximo de uma vida desnotada, em branco, daninha como o mato.
E assim invisível
Maria da Terra foi erodindo e secando o pouco de água que tinha. Não deu frutos, não pariu rebentos, não brotou na primavera nem germinou no inverno. Penou calvários sem cruz, mas munida de enxada.
Tal qual erva daninha que toma conta de terra ociosa - que de tão ociosa só serve para alimentar
o gozo de quem a possui -, Maria, sabe-se lá por quais artes de quem, um belo dia pariu um milhão de larvas.
Não sei se por carência de mãe que ensinasse as coisas de mulher ou se pelo estado comum de
substantivo sem gênero, Maria confundiu as larvas com filhos. Alimentou-as com o pouco de pirão de farinha que tinha e amamentou-as com as lágrimas da humilhação.
Quando as larvas atingiram o tamanho certo para arar a terra que não era de Joana, nem de Pedro, nem de José, nem de Severina, nem de Antônio, nem de Raimundo, nem de Donana e sim
de um alguém que de tão visível nem precisava aparecer, Maria deu uma enxada e uma foice para cada filho.
Na invisibilidade comum dos assombrados, ninguém se assombrou com as larvas a arar a terra. No roçado não havia lugar para os assombros e o horror e a morte conviviam em assombrada comunidade.
O Tempo foi escorrendo entre os calos das mãos de Maria da Terra até que um dia, sem ser convidado, adentrou pela casa acompanhado da
Morte. Maria não se avexou pela miséria da casa e repartiu com as visitas o pouco de vida que ainda tinha.
Maria morreu assim que os visitantes tomaram o rumo do Grotão das Moscas. Na manhã seguinte foi outra vez embrulhada em dois embrulhos: uma caixa de ossos descarnados e uma rede poída, rota e encardida.
Sete dias após os vermes terem comido o pouco de carne que tinha,
Santa Maria da Terra fez o primeiro milagre: no roçado, as larvas criaram asas e viraram borboletas.
Não sei se pela santidade do milagre ou se pelo pólem que as borboletas espalharam no ar, os olhos do povo invisível olharam e se reconheceram no olhar do outro, se viram belos, viram a terra que era de todos e descobriram que tinham asas para voar.
As borboletas? Ah, essas andam voando livres pelos campos e estradas, espalhando o pólem da visibilidade e agitando as asas em coloridas bandeiras...

Panis et Circences

Quando Deus caiu em si e se deu conta da merda que fizera, já era tarde. O mundo, aquele mundo que Ele criara do Verbo, desandara em bizarras conjugações. "Vernáculo medíocre", deu de resmungar pelos cantos, horrorizado perante a Obra parca e medíocre a refletir no espelho uma provável mediocridade. "Se a mediocridade foi por mim criada, logo medíocre sou", afirmava aos mais íntimos após muitos copos de vinho.
Não sei se pelo porre divino ou pelas cicatrizes que o horror lhe criara na face, os anjos o abandonaram, levando com eles as "boas" almas numa rósea revoada.
Assustados, débeis e mal agradecidos, os anjos (pela primeira vez!) não cumpriram os salamaleques da boa educação e foram embora sem despedidas, levando debaixo das asas algumas coisinhas. Surrupiaram a prataria do palácio, as jóias da finada Deusa, a porcelana chinesa, a música, as telas, as esculturas, as tragédias e os dramas e livros criados por uma "cambada de malucos" que Deus insistia em se cercar.
A razão que os fez surrupiar as obras de arte estava a léguas do bom gosto e do refinamento. Os anjos, por assexualidade ou mesmo por falta de caráter, não tinham ouvidos nem olhos nem alma para apreciá-las, mas tinham raciocínio matemático para vendê-las ao primeiro receptador que aparecesse. "Essas drogas valem dinheiro!", repetiam em coro ao mesmo tempo em que redigiam o anúncio para os classificados do Diário Celestial.
Como era de se esperar, o anúncio surtiu efeito e logo os anjos se viram cercados dos mais variados tipos de receptadores. As obras foram vendidas de maneira rápida, eficiente e menos lucrativa do que o esperado. Mas como não tinham ouvidos nem olhos nem alma para o verdadeiro preço da arte, os anjos se contentaram com os parcos trocados arrecadados . Satisfeitos enfiaram os tostões nos bolsos e junto com as "boas" almas torraram o dinheiro numa loja de 1,99.
Carregados de flores de plástico, imãs de geladeira, bichinhos de pelúcia, pregadores de cabelo, fôrmas de silicone e de todas as bugingangas made in Taiwan ou China, rumaram para outras bandas do céu, para um lugar iluminado por lâmpadas azuis e perfumado por duvidosa essência. E lá criaram um novo mundo. Um admirável mundo novo construído de acordo com um bizarro manual de instruções de um DVD mais bizarro ainda. Não contentes, inventaram um novo Deus que, por gagueira ou cópia mal feita, não conseguiu enunciar o Verbo e acabou criando o mundo a partir de uma Sílaba.
Bojudos de tanta felicidade falsificada, entronaram o clone num patético trono iluminado por néon. E como o sustento de um Deus assim custa os olhos da cara, criaram uma forma de sustentá-lo, erguendo no céu uma nova Las Vegas.
Quando os anjos partiram, Deus, o verdadeiro, recuperou a lucidez divina. Por estar de saco cheio das chatices bem comportadas, dissimuladas, falsificadas, das "boas" almas, não sentiu falta delas. Não lamentou pela prataria (dava uma trabalheira polir!) nem pelas obras de arte roubadas (os autores haviam ficado!). Pela primeira vez em milhões e milhões de séculos, o Verbo, o vernáculo sagrado, recuperou a transcendência e ecoou solto, livre como um risco de Picasso.
Dizem que naquele dia o céu incendiou de estrelas e Deus foi visto dentro da lua abraçado ao Diabo...


Feitiços & Cultura


Vita costumava ensinar feitiços para qualquer um que a procurasse. Gostava tanto de ensiná-los que com o tempo passou a transmiti-los mesmo que a pessoa não os solicitasse. Acabou virando uma doadora compulsiva. Ensinava feitiços para o leiteiro ( no seu tempo o leite era entregue a domicílio,embalado num vidro gorducho e transparente), para o homem da venda, para a lavadeira, para a vizinha, para a moça na fila do banco, e por incrivel que pareça, até para as criancinhas! E se o presidente da república resolvesse dar uma paradinha no seu portão (ela morava pertinho do palácio), ela sem dúvida lhe ensinaria um feitiço. Bem verdade que este seria muito mais trabalhoso ( mas afinal, ser presidente requer um certo trabalho, não é? ) e os ingredientes, quase que impossível de ser encontrados... A generosidade de Vita era tamanha, que acabou transpondo os limites da moral e dos bons costumes. E assim, numa simples espiralada do tempo, ela assumiu a esquerda. Para ela pouco importava a indissolubilidade dos casamentos, a heterossexualidade, a obediência, a rigidez ideológica, e todas as regras que tornam ( ? ) o homem civilizado. A civilização ficava bem longe do coração de Vita. E se ela tivesse lido "O Bom Selvagem", certamente o acrescentaria ao seu sobrenome. Passaria a se apresentar como Vitalina Leandro de Oliveira do Bom Selvagem. E de nada adiantariam os argumentos de que os sobrenomes exigem a origem da filiação pois Vita amava os bastardos. Este caminho à esquerda trouxe ainda mais gente à sua porta, e a sua casa, numa pacata rua de Larangeiras, acabou se tornando sede do Comitê do Liberou Geral. Os vizinhos, acostumados com as esquisitices de Vitalina, não se importaram com o estranho bando que todos os dias adentrava pelo portão da casa das araras ( Vitalina tinha duas). Acostumaram-se com os travestis, com as prostitutas, com os anarquistas, com os visionários, e com toda aquele gente "estranha" que o livro das regras costuma dizer que se deve evitar. Ninguém evitou nada e num passe de mágica a tradicional vizinhança aderiu ao bando. E assim criaram-se os laços mais inusitados. Dona Beatriz, uma pacata dona de casa, fiel e amante da ordem, acabou revelando para Gigi, uma prostituta da Rua Alice, a paixão que nutria pelo carteiro. Claudia, uma mocinha casta e fervorosamente cristã, descobriu Ártemis no olhar de Beatriz, uma acrobata de circo. Seu Manoel, o cisudo português do armazem, seguidor de Getúlio e levemente apaixonado por Salazar, abriu os ouvidos para os discursos de Paulo, um estudante de Filosofia que adorava Bakunin, e da noite pro dia adotou o Hay Gobierno, Soy Contra. E assim os feitiços foram se espalhando por cada vez mais gente. Ultrapassaram os limites da rua, do bairro, da cidade... e Vita pode então descansar em paz. Morreu feliz, certa de que havia passado o seu recado. O Comitê do Liberou Geral compreendera que os feitiços são simplesmente uma rasteira que se dá na cultura.

Chet

Chet

Home Sweet Home

Home Sweet Home
Que buraco é esse que me faz comer a geladeira?

Livros & Livrarias

Livros & Livrarias
Livrarias são janelas. Livros olham o mundo.Livrarias libertam. Livros revolucionam.

Senhoras do Santíssimo Feminino

Senhoras do Santíssimo Feminino
O poder sagrado Delas.

A Pergunta de Lacan

A Pergunta de Lacan
O mistério do gozo das mulheres

Afrodite & Panelas

Afrodite & Panelas
E no princípio era a GULA...

A Casa

A Casa
O mundo olha pelas nossas janelas...

Um Lance de Dados

Um Lance de Dados
Jamais abolirá o acaso

O Caldeirão

O Caldeirão
Ele não está no final do arco-íris

Armário e Gavetas

Armário e Gavetas
O que será que eles revelam?

Minha Cozinha

Minha Cozinha
Onde tudo começou.

Meus Segredos

Meus Segredos
Laços e refogados culinários

Nossas Luas

Nossas Luas
E são treze...

Seduções & Devaneios

Seduções & Devaneios
Eu o escreveria mil vezes!

Guadalupe, a Santíssima Mestiça

Guadalupe, a Santíssima Mestiça
Como amei descrevê-la!

Amor e Cozinha

Amor e Cozinha
Foi uma delícia escrevê-lo!